Orgulho, vergonha e motivação

22/11/2012   ||   Devocionais  ||  1 comentário

Para quem está acostumado com a cultura ocidental como eu, viajar à um país como os EAU é uma experiência fenomenal, não só pelas grandes construções e um altíssimo nível de engenharia que se pode observar a cada esquina do país, mas pelo choque cultural, que, nesse caso, choque pode ser entendido quase que no seu sentido literal.

Ao desembarcar no aeroporto internacional de Dubai, logo se nota a diferença. As placas escritas em árabe e em inglês te colocam em um lugar novo, diferente daquilo que se conhece. A primeira placa que vi indicava três caminhos: Controle de bagagens, toalete e sala de oração. Sala de oração? Isso mesmo, percebi que salas de oração no aeroporto de Dubai são como Pães de queijo em Minas Gerais, chimarrão no Rio Grande do Sul e acarajé na Bahia. Em todo momento existe alguém orando ou querendo orar, logo, a construção de salas de oração no aeroporto faz todo sentido em Dubai!

Tentei me aproximar de umas dessas salas quando fazia um vôo de conexão. A sala de oração em questão ficava em frente ao banheiro, Tentei chegar manso, fingindo ir ao banheiro mas com a real intenção de observar como era uma sala de oração no aeroporto de Dubai. No entanto, um rapaz indiano que limpava o corredor me convidou a utilizar o banheiro para portadores de necessidades especiais (???) e não pude observar a sala. Só percebi que há salas diferentes para homens e para mulheres.

Falando em homens e mulheres, este é um outro tabu para quem vive no Oriente Médio. Um brasileiro precisa de visto para entrar nos EAU e este é feito diretamente pela internet. Já no momento de preencher o formulário de solicitação, notei algo interessante. Se você assinala que é do sexo masculino, imediatamente você é transferido para a próxima pergunta, que, se não estou enganado, é o seu endereço. No entanto, caso você preencha que é do sexo feminino, uma nova pergunta é apresentada, onde a mulher informa se é casada ou solteira. Caso seja solteira, a mulher precisa preencher o nome completo do pai. Caso seja casada, o nome completo do marido é solicitado. O homem parece ser então o responsável pela mulher. Ao longo da viagem percebi que esse é o menor dos detalhes quando se fala sobre o tratamento entre homens e mulheres nos EAU.

Andando por Dubai, é muitíssimo comum encontrar as mulheres vestindo burca. Aquela roupa preta, que além de preservar o corpo todo da mulher, também possui um véu que vai sobre a cabeça e se enrola pelo pescoço. Pela minha pequena experiência, percebi que esse é o modelo básico de uma burca. Variações comuns são: Mulheres com a face à mostra, mulheres que só mostram o olho e mulheres que além de tudo isso, levam outro véu sobre a cabeça e nem sequer deixam os olhos a mostra. Essas, mesmo quando vão comer, cortam os alimentos e comem discretamente por baixo do véu que as cobre.

Os homens também possuem seus trajes típicos, mas eu diria que são bem mais ousados que as mulheres: Túnica branca e geralmente um véu branco sobre a cabeça, com um cordão preto que mantém o véu seguro do vento. Variações também são comuns entre os homens, como por exemplo, um pequeno chapéu ou um turbante no lugar do véu. No entanto, a roupa para o homem me pareceu algo opcional, pois vi diversas vezes homens vestindo calça e até mesmo bermuda e camisetas de estilo ocidental, acompanhados de suas respectivas companheiras, as quais sempre vestiam a mesma indumentária que descrevi, não importando qual seja a variação. Em ambos os casos o homem sempre está mais a vontade que a mulher.

Outro ponto interessante que notei foi que, dirigindo de Dubai a Abu Dhabi percebi o que é viver uma teocracia. O presidente do EAU não é só um presidente, é praticamente um deus. Em 150 km de estrada, pude ver ao menos 20 outdoors com fotos grandes do presidente, homem novo, com barba e vestindo a roupa típica que descrevi. Os outdoors se referem a ele como “nosso pai”. Fiquei impressionado.

Com tudo isso que relatei, reflexões não me faltaram. Me senti orgulhoso de ser cristão, de servir a um Deus que morreu por mim para que eu fosse e não escravo. Senti orgulho de ter recebido de Deus não só uma mulher, mas uma amiga e companheira que não vive somente para me servir, mas para me completar. Senti orgulho de ter nascido em uma família onde a única mulher da casa  sempre se colocou como serva, mas sempre foi tratada como rainha. Enfim, senti orgulho de Deus.

No entanto, senti vergonha da minha omissão como cristão. Senti vergonha de, por vergonha, envergonhar o evangelho. Senti vergonha por fazer pouco pelo evangelho. Senti vergonha de não orar mais. Senti vergonha de não honrar mais.

Por último, senti motivação. Motivação para fazer mais, motivação para ser diferente, motivação para tocar o coração de Deus, motivação para ser um cristão de verdade.

Que o orgulho e a vergonha gerem em você a mesma motivação que gerou em mim.

Deus te abençoe.

Elder Ávila
Líder da Rede de Adolescentes Geração Daniel

Geração Josué

Equipe Web da Geração Josué

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1 comentário

  • Olá Elder!

    Quero registrar aqui o agradecimento por compartilhar sua experiência pessoal de maneira tão simples porém com um coração sincero e humildade de espírito. Isto trouxe edificação.
    Sua declaração nos arremete a uma reflexão pessoal sobre nosso compromisso com a oração (salas de oração), com a obediência, hierarquia e principalmente com a proclamação do evangelho. Sinto-me desafiada a ter uma atitude de intrepidez, coragem e ousadia diante de um mundo tão soberbo e altivo. Vencer a passividade, a inércia e a insensatez é a luta de cada dia para o cristão. Olhar para o alto, para a nossa volta, para as necessidades e sair do conformismo.

    Obrigada pela mensagem…e que ela seja viva todos os dias em nossa mente para dar frutos.

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